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Presidente da Oi diz que a resistência dos minoritários não vai impedir a reestruturação da companhia.

Por Tatiana BAUTZER

O executivo Francisco Valim, presidente da Oi desde agosto, esbanja confiança. Desta vez, garante ele, não há chance de a quarta tentativa de reestruturação da operadora de telefonia fracassar por discordância dos acionistas minoritários, como ocorreu nos processos anteriores. Anunciada em maio, a simplificação societária pretende reduzir de sete para dois o número de ações das empresas do grupo negociadas na bolsa e foi bem recebida a princípio, porque a Oi usou as cotações de mercado para calcular as relações de troca. No entanto, nas últimas semanas, começaram a aparecer ruídos. O representante dos minoritários no conselho de administração da Brasil Telecom, João Carlos Gaspar, votou contra a proposta na assembleia que aprovou as relações de troca. Ele alegou falta de independência dos comitês que analisaram o assunto. A gestora Polo Capital é uma das acionistas descontentes: seu sócio, Marcos Duarte, conselheiro fiscal da Brasil Telecom, protestou contra o processo.



Francisco Valim, presidente da Oi: "As reclamações vêm de um grupo que quer criar dificuldades para levar vantagens"

Os minoritários ameaçam recorrer à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para impedir que os controladores votem na assembleia que será convocada para aprovar a operação. Valim disse com exclusividade à DINHEIRO que a situação é muito diferente das últimas tentativas de reestruturação e que a chance de fracasso é ínfima. Segundo ele, as queixas vêm de um pequeno grupo de descontentes, que quer dificultar o processo para vender mais caro suas ações da Brasil Telecom. “É inaceitável que acionistas com menos de 3% da empresa prejudiquem todos os outros investidores, inclusive os minoritários”, afirma Valim. “É um exemplo da lei de Gerson, eles querem criar uma dificuldade para levar vantagem.” Ele diz que os controladores vão votar, pois cumpriram as exigências da CVM para incorporações entre empresas do mesmo grupo, como criar comitês independentes para avaliar a relação de troca. Os minoritários reclamam que as ações da Brasil Telecom estão subavaliadas, pois a expectativa com a reestruturação fez suas cotações em bolsa cair. 

Eles também se queixam de supostos erros dos bancos que avaliaram a empresa – mesmo que esses laudos não tenham sido usados para definir o preço. Valim refuta as críticas. Usamos o critério mais justo para a troca, que são as cotações das ações na Bolsa, e a CVM vê esse método com bons olhos”, diz ele. “Os minoritários estão procurando razões fictícias para denegrir  um processo que é de uma lisura completa.” Embora os minoritários apontem o mau desempenho das ações da Oi, cujo papel mais líquido caiu 36% no ano, como um sinal de que a proposta foi mal recebida, Valim afirma que a situação é justamente o contrário: a grande diversidade de ações em circulação derrubando os preços. “As ações estão depreciadas porque os investidores não conseguem montar uma posição na empresa de forma simples”, diz. “Isso só reforça a necessidade de fazer a reorganização o mais rápido possível, até o início de 2012.”

 

Matéria publicada pela Revista IstoÉ Dinheiro, edição 731.

 


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