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Escândalo põe auditor na zona de risco

04/11/2014 às 05h00

Valor Econômico - por Nelson Niero | De São Paulo

É provável que PricewaterhouseCoopers nunca tenha enfrentado uma situação como essa. Contratada como auditor independente pela Petrobras, ela está diante de um escândalo de grandes proporções depois que um diretor de primeiro escalão resolveu contar detalhes de um esquema bilionário, que funciona pelo menos desde 2006, de desvio de dinheiro na maior empresa da América Latina.

O que fazer agora com esses números todos aprovados nos últimos anos por todos os auditores que passaram pela empresa? Ficou difícil até mesmo fazer o básico do trabalho de auditoria, dizer que o balanço respeita as normas contábeis. O que fazer com os 3%? É investimento ou despesa?
A Petrobras é um cliente importante, mas as grandes firmas de auditoria têm grandes clientes no mundo todo e, principalmente, têm um nome a zelar. Não faz tanto tempo que a mais conceituada delas, a Arthur Andersen, quebrou depois que foram descobertas as falcatruas da empresa de energia americana Enron. Posteriormente, a Arthur Andersen foi inocentada pela Justiça, mas já era história. O que vale para as auditorias é a credibilidade. Não que elas não forcem os limites em busca de rentabilidade, porém há um momento em que isso passa a ser arriscado demais.
Parece que foi isso que aconteceu na Petrobras. O fato de a empresa ter ações no mercado americano amplifica o escândalo e a PwC não vai querer que os reguladores venham ao seu encalço (se já não estão). Desde a Enron e das outras grandes fraudes do início de 2000, os auditores perderam o poder de autorregulação e vivem desde 2004 sob a constante vigilância de um órgão regulador específico, o PCAOB, que faz visitas não muito amigáveis aos escritórios das firmas no mundo todo, e o Brasil também está nessa rota.
Se a situação chegou ao ponto de o auditor pedir a cabeça de um diretor ou "ameaçar" não assinar as contas, como foi noticiado, a situação de descontrole na Petrobras é de fato inédita. É normal que auditor e empresa tenham opiniões divergentes, e isso pode empurrar a data de fechamento do balanço. Se não chegarem a um acordo, o auditor pode defender seu nome com uma ressalva no parecer, algo como "eu avisei". Pode, em casos extremos, recusar-se a assinar. É raro, mas ocorre em empresas com sérios problemas de gestão ou atoladas em disputas societárias, por exemplo, em casos em que o auditor não consegue sequer checar os dados que lhe são apresentados.
Sobraram estilhaços para o auditor da bomba que explodiu na Petrobras depois que vieram a público os depoimentos de Paulo Roberto Costa. Não dá para o auditor ignorar algo dessa magnitude (ou "materialidade", como dizem), por mais que confie nos controles da empresa. Bom que seja assim, porque pelo menos em casos extremos o auditor, um dos guardiães dos interesses dos acionistas, faz valer sua presença, mesmo que seja para salvar a própria pele.
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