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Nippon Steel deu golpe, diz Ternium

7/10/2014 às 05h00

Valor Econômico - por Ivo Ribeiro | De São Paulo

O conglomerado ítalo-argentino Techint, que vive um conflito societário com a Nippon Steel & Sumitomo, acusa sua sócia japonesa na Usiminas de aplicar um golpe para mudar o comando da siderúrgica mineira. Esse golpe, garante, ocorreu com o afastamento unilateral de executivos indicados pelo grupo Techint, rompendo o acordo de acionistas.

"Eles [os sócios japoneses] estão muito incomodados com as mudanças que passamos a fazer na empresa desde que chegamos em 2012, visando torná-la mais eficiente e competitiva. Na verdade, querem a volta do passado, com a cultura de estatal, ao usarem fatos artificiais para mudar a governança da empresa", afirmou, em entrevista aoValor, Roberto Caiuby Vidigal, que preside os negócios do grupo Techint no Brasil e é um dos conselheiros da Usiminas.

Em novembro de 2011, o grupo comandado pelo empresário Paolo Rocca pagou R$ 5,1 bilhões para entrar no bloco de controle acionário da siderúrgica, garantindo o direito de, em conjunto, definir as decisões estratégicas na empresa. Controlador da Ternium, que atua em siderurgia nas Américas, e da Tenaris, uma das lideres globais em tubos de aço, o grupo adquiriu as ações de Votorantim e Camargo Corrêa, passando a dividir o poder da companhia com os sócios japoneses.

Segundo Vidigal, o grupo tem um comprometimento de longo prazo com a Usiminas, que considera uma empresa muito importante no setor. Um exemplo disso, lembrou, foi a decisão de adquirir mais 10,2% de ações dela em poder do fundo de pensão Previ por R$ 617 milhões. "Ao contrário dos japoneses, que pouco investiram em seus mais de 50 anos. Estavam mais preocupados em vender tecnologia e equipamentos", diz.

As divergências sobre decisões na gestão da Usiminas atingiram alta temperatura em abril, quando, segundo Vidigal, ocorreram tentativas de afastar unilateralmente o presidente, Julián Eguren, e os vice-presidentes Paolo Bassetti (subsidiárias), e Marcelo Chara, da área industrial. Desde então, travaram embates nas reuniões prévias de acionistas e do conselho, com acusações de parte a parte. Em razão disso, a diretoria não foi reconduzida na assembleia anual de 25 de abril.

O desentendimento foi parar na Justiça no fim de setembro, quando se consumou a destituição de Eguren, Bassetti e Chara em eleição dos conselheiros da empresa. O afastamento teve como argumento da Nippon Steel e de dois acionistas minoritários (Previ e Fundo L. Par) o pagamento de bônus especiais ao três executivos. Esses bônus, afirmaram, não tinham aprovação da companhia nem do conselho. Três votos da Ternium e dois do fundo dos Empregados da Usiminas foram contrários à destituição.

A Ternium não teve sucesso em três pedidos de liminares para reconduzir seus executivos. Mas diz que continuará buscando na Justiça garantia aos seus direitos e das regras do acordo firmado com os japoneses. Por ele, informa, ficou acertado que a empresa cuidaria da gestão executiva da Usiminas.

"Os japoneses, aliados com o presidente do conselho de administração da empresa, Paulo Penido, rasgaram o acordo de acionistas da Usiminas, tomando decisões que violaram o documento", diz Marcelo Trindade, advogado da Trindade Advogados que cuida da causa para a Ternium junto com o escritório Mattos Filho.

A Ternium alega que os pagamentos de bônus e outras remunerações ao três executivos não causaram nenhum dolo e nem foram feitos em má-fé. Sustenta que esses valores apontados por auditoria interna faziam parte de um programa de compensações a expatriados. E que tinham retroatividade prevista no programa, aprovado em novembro de 2012.

"A razão única é que a Nippon Steel tentou mudar o acordo de acionistas, propondo alternância de presidente e não concordamos com esse rodízio", afirma Vidigal. Para ele, não faz nenhum sentido esse modelo, de trocar CEO a cada dois ou quatro anos. E menos ainda o fatiamento de executivos. Informa que não existe negociações sobre isso com a Nippon, mas apenas conversações que visam o retorno de Eguren, Bassetti e Chara.

O acordo de acionistas prevê consenso dos dois controladores nas decisões, tanto para indicar o presidente, integrantes do conselho e outras matérias estratégicas. Mas não prevê solução para divergências, como arbitragem. A Nippon Steel detém 29,45% das ações da Usiminas integrantes do acordo e o grupo Ternium, 27,7%.

Segundo Vidigal, os três executivos vinham fazendo com êxito profundo turnaround (reorganização) na Usiminas, reconhecido pelo mercado. Mas esse programa, que visa salto de competitividade, deixou os japoneses e muitas pessoas ameaçadas em suas posições. Ele admite corte no grupo Usiminas da ordem de 10 mil pessoas, mas aliado a um programa de renovação de funcionários.

Segundo informou, vieram 34 profissionais, com alta qualificação, do grupo Techint para trabalhar na Usiminas, com a meta de implementar a reestruturação. Desse número, 21 são argentinos (e não 40). Do restante, oito brasileiros, três venezuelanos, um mexicano e um colombiano. Do lado japonês, 27 pessoas, sendo 21 da Nippon Steel na área de aço.

Segundo Vidigal, o grupo tem um projeto transformador para a Usiminas, que visa maior eficiência, redução de custos e ganho de competitividade. Diz que já gerou resultados positivos na rentabilidade (apesar de um cenário ruim do setor) e que o lucro operacional (Ebitda) trimestral dobrou nos dois trimestres do ano (média de R$ 600 milhões) em relação ao Ebitda do fim de 2011.

Ele apontou ainda que houve necessidade de reequilibrar o caixa da empresa e reduzir a dívida líquida com venda de ativos não estratégicos. E que a gestão conseguiu baixar a um terço o capital de giro e trazer o capex (investimento) ao nível da geração de caixa.

O desfecho que tomou o caso, para o conselheiro, foi um choque. "Nunca na minha vida vi um comportamento tão mal educado, principalmente da parte dos japoneses, com quem já tivemos, na Confab, uma sociedade que não teve problemas", afirmou.

A Ternium informa que vai responsabilizar na Justiça os sócios japoneses e Paulo Penido pelos prejuízos causados à siderúrgica e a todos os demais acionistas.

 

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