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Cacique anuncia que vai fechar o capital

 

29/07/2014 às 05h00

Valor Econômico - por Carine Ferreira | De São Paulo

Uma das maiores empresas de café instantâneo do país, a Companhia Cacique de Café Solúvel, dona da conhecida marca Café Pelé, anunciou ontem que pretende fechar seu capital. Por meio de comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o controlador da empresa, Horácio Sabino Coimbra - Comércio e Participações Ltda, informou que fará uma oferta pública de aquisição (OPA) para comprar todas as ações ordinárias e preferenciais atualmente em circulação.

Segundo o comunicado, o preço oferecido para essas aquisições será de R$ 11,70 por ação, baseado em laudo de avaliação realizado pela consultoria Rosenberg Partners. O valor será pago à vista aos acionistas que aceitarem a OPA, em data da liquidação financeira a ser definida. Procurada, a Cacique não quis se pronunciar sobre o assunto.

Depois do anúncio, as ações preferenciais da companhia subiram expressivos 13,48% e fecharam ontem a R$ 10,10. Com pouca liquidez, os papéis preferenciais da Cacique movimentaram nos últimos 90 dias na BM&FBovespa apenas R$ 127,2 mil, de acordo com informações do Valor Data.

Com sede em Londrina (PR), a Cacique foi fundada em 1959, pelo empresário Horácio Sabino Coimbra. Depois de sua morte, há cerca de 20 anos, a companhia passou a ser administrada por seus filhos Sérgio e Cesário.

A empresa foi uma das primeiras a abrir mercados para o café brasileiro no exterior - foi inclusive a pioneira na exportação de solúvel para a antiga União Soviética. Como lembra uma fonte do segmento, no fim dos anos 1960 a empresa fez um acordo com o governo da ex-URSS e iniciou os embarques do produto com a marca Cacique para aquele mercado.

Em 1970, a empresa firmou contrato com o maior jogador de futebol de todos os tempos e começou a exportar café com a marca Pelé, com grande repercussão internacional A empresa também foi pioneira ao levar seu produto à China, ainda no fim dos anos 1970, embora não tenha obtido sucesso no país asiático.

Dona de uma das poucas marcas brasileiras de café com alcance mundial, a Cacique é também grande fornecedora de café a granel, inclusive para outras grandes empresas do segmento e redes supermercadistas, diz um outro representante do segmento.

Além da produção de solúvel, a empresa mantém uma operação, em expansão, na área de café torrado e moído. É a quinta maior empresa desse mercado no ranking da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).

Em 2013, a Cacique exportou 23,6 mil toneladas de café solúvel. Segundo uma fonte, o volume é próximo do da Nestlé, a maior no Brasil no segmento.

Roberto Ferreira Paulo, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), entidade da qual a Cacique é filiada, afirma que cerca de 80% da produção de café instantâneo das empresas nacionais é destinada ao mercado externo, embora o país tenha perdido competitividade nos últimos anos diante do preço mais alto da principal matéria-prima (café robusta) que o de concorrentes e de barreiras impostas por países importadores.

Conforme a Abics, o faturamento do mercado de solúvel no país foi de R$ 530 milhões em 2013, 17,8% mais que em 2012. Esse crescimento refletiu maiores preços, já que o consumo doméstico segue estagnado e representa cerca de 5% do volume total de café consumido no país. Em 2013, os embarques de solúvel totalizaram 3,329 milhões de sacas, 3,5% menos que em 2012. A receita com as exportações caiu 2,9%, para US$ 655 milhões, segundo a Abics.

A Cacique registrou receita operacional líquida de R$ 772,218 milhões no ano passado, aumento de 7,9% sobre 2012. O lucro líquido do exercício no ano passado foi de R$ 51,547 milhões, ante resultado líquido positivo de R$ 11,833 milhões no ano anterior.

Um consultor disse que a Cacique segue o caminho de outras companhias que estão fechando o capital por preferirem usar recursos gerados dentro da própria empresa ou por meio de financiamento. "Para eles [Cacique], não é fonte de recursos [a bolsa]. Não estão tão agressivos".

Em movimento semelhante ao da Cacique, em abril a Cia Iguaçu de Café Solúvel confirmou à CVM o fechamento de seu capital. (Colaborou Fernanda Pressinott)

 

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