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Presidente da PT perde poder na CorpCo

 

17/07/2014 às 05h00

Valor Econômico - por Heloisa Magalhães e Ana Paula Ragazzi | Do Rio

Após a alardeada surpresa com o empréstimo da Portugal Telecom (PT) de € 897 milhões à endividada Rioforte, do grupo Espírito Santo, a estratégia do comando da Oi é deixar claro ao mercado que a companhia ficará o mais protegida possível de eventuais percalços causados pela tele portuguesa.

Entre os caminhos adotados, está o de deixar Henrique Granadeiro, presidente da PT, fora do conselho de administração da CorpCo, empresa que nasce da fusão da Oi com a PT. Ao menos por enquanto, ele não será mais o vice-chairman. Zeinal Bava, que comandou a PT por cinco anos, até junho de 2013, continua como presidente da Oi e futuro CEO da CorpCo.

A decisão de tirar Granadeiro do conselho da CorpCo foi patrocinada pelos sócios brasileiros da Oi, que, agora, tentam dissipar a nova nódoa na governança da empresa.

Para chegar ao memorando de entendimentos com a PT, assinado na madrugada de ontem, a Oi tinha dois sócios em Lisboa: Otavio Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez, e Fernando Magalhães Portella, presidente do Grupo Jereissati. Bayard Gontijo, diretor financeiro da Oi também estava na capital portuguesa, assim como advogados do escritório Barbosa, Müssnich & Aragão, representando a Oi, e do Esquenazi & Lacerda, respondendo pelos sócios brasileiros. Outros acionistas da tele brasileira, como fundos de pensão de estatais e a BNDESPar, ficaram no Brasil e eram informados à medida que as negociações avançavam.

O eixo da proposta da Oi, que defendia manter o risco do calote da Rioforte na PT isolado em Portugal e realizar o ajuste das participações acionárias na CorpCo, foi mantido.

A Oi inicialmente queria resolver o passivo - originalmente da PT, que não conseguiu receber a maior parte do empréstimo feito ao Grupo Espírito Santo ontem, mas que acabou caindo no colo da CorpCo - em um ano. Mas concordou em um prazo médio de três anos e meio. A PT, por sua vez, não queria ter sua fatia na CorpCo reduzida, argumentando que os € 897 milhões entregues ao GES tratava-se de um "risco normal de tesouraria". Também cedeu.

Os termos do acordo começaram a ser montados por Bava e pelas áreas jurídica e financeira da Oi, assim que Azevedo e Portella deixaram o conselho de administração da PT, há duas semanas.

Granadeiro, embora tenha sido afastado do conselho da CorpCo e ainda não ter explicado ao mercado o substancial apoio da PT à Rioforte, é considerado um executivo influente e com uma trajetória de sucesso em Portugal. Ele, de 71 anos, atua não só na área empresarial como no mundo acadêmico e das artes. Tem assento no conselho geral da Universidade de Lisboa, com influência na definição de linhas mestras na academia e no processo seletivo de reitores.

Granadeiro e os Espírito Santo se conhecem de longa data. Ex-seminarista, o executivo e empresário estudou economia na cidade de Évora, quando conheceu então jovens herdeiros de uma das famílias mais ricas de Portugal.

O presidente da PT iniciou a carreira como funcionário público. Foi embaixador e representante permanente de Portugal na OCDE e chefe da Casa Civil do presidente da República (general Ramalho) até 1979, quando transferiu-se para o setor privado.

Em 2003 foi escolhido para presidir a PT. Em 2008, Zeinal Bava assumiu o comando da companhia e Granadeiro passou a presidir o conselho de administração. Após Bava transferir-se para a Oi, Granadeiro voltou à presidência da PT.

Ele foi um dos que ajudaram organizar a produção de vinhos na região de Évora. Reuniu pequenos produtores em cooperativas. O sucesso internacional do vinho Cartuxa e dos produtos da Fundação Eugenio de Almeida são resultado da profissionalização.

Em 2001, o executivo criou a Granadeiro Vinhos, com o rótulo Monte dos Perdigões. Foi ele que deu ao filho do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em visita a Portugal, um vinho da região com o rótulo gravado com seu nome - Fábio Luiz. Na época, diante da polêmica, procurado pelo Valor, Granadeiro disse que ações nessa linha eram totalmente usuais para presentear visitantes ilustres.

 

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