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Conselheiros da Oi saem da Portugal Telecom

02/07/2014

Valor Econômico - por Heloisa Magalhães e Ana Paula Ragazzi | Do Rio

Um dia depois de a Portugal Telecom confirmar um investimento de € 897 milhões numa holding do Grupo Espírito Santo (GES), que enfrenta dificuldades financeiras, os dois representantes da Oi no conselho da tele portuguesa renunciaram a seus postos. Estão de saída o presidente do grupo Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo, e Fernando Magalhães Portella, à frente da Jereissati Participações.

Ao Valor, Azevedo disse que renunciou à cadeira porque se sentiu "desconfortável". "Comuniquei a minha decisão ao Portella e ele também decidiu sair", disse. Azevedo informou que o conselho não foi consultado sobre a operação. Segundo Azevedo, ele já havia decidido deixar o conselho. Avalia que existem conflitos de interesse devido à participação da Andrade Gutierrez na Oi, que "objetivamente requerem minha independência pois há muitas decisões que nos colocam eventualmente perda de liberdade", disse. Ele afirmou que já não vinha participando das reuniões do conselho da PT. "Já tinha planos de deixar o conselho. Ao me sentir desconfortável por ter tomado conhecimento da operação, que não é pequena, apenas quando foi divulgada por comunicado à imprensa, achei que era hora de sair", disse.

A operação em questão foi revelada pela imprensa portuguesa na sexta-feira passada e faz parte das apurações sobre as dificuldades enfrentadas pelo GES. Desde então, tem derrubado tanto as ações da Portugal Telecom, quanto as da Oi- ontem estas lideraram as perdas do Ibovespa. Depois do comunicado da saída sem justificativas dos conselheiros ontem, o mercado em Lisboa passou a especular se a renúncia poderia significar algum contratempo para a fusão entre Oi e Portugal Telecom.

A concretização dessa união é aguardada para outubro e, na etapa em que se encontra, analistas questionam se poderá ser afetada. Quando ambas se fundirem, haverá um novo conselho para a nova companhia, cujos nomes já foram divulgados e do qual Portella fará parte.

A Portugal Telecom esclareceu que comprou € 897 milhões em papéis comerciais da Rioforte, que é uma holding da família do Grupo Espírito Santo, que reúne ativos não financeiros e, segundo a imprensa portuguesa, concentra os problemas do grupo.

Existe em Portugal demanda por esclarecimentos sobre qual a situação financeira da Rioforte. Reportagem do jornal português "Diário Econômico" avalia que, com a aplicação da Portugal Telecom, o Grupo Espírito Santo conseguiu um "balão de oxigênio", mas avalia que a renovação desse financiamento poderá estar nas mãos da Oi. Procurada pelo Valor, a Oi não se pronunciou.

Foram feitas duas aplicações, informou a Portugal Telecom, com remuneração média anual de 3,6%. Uma delas é de € 847 milhões e vence em 15 de julho próximo. A outra, de € 50 milhões, vence dois dias depois, em 17 de julho. Para se ter ideia da relevância dos valores, a Portugal Telecom está avaliada na bolsa de Lisboa em € 2,4 bilhões. O investimento de risco equivale a quase 40% de seu valor de mercado, portanto.

A notícia inicialmente divulgada em jornais foi de que os papéis venceriam em agosto. O prazo ainda mais curto já havia estressado o mercado no início da semana. Em razão das dificuldades enfrentadas pelo Grupo Espírito Santo, o mercado teme que a Portugal Telecom não recupere esse dinheiro.

A tele portuguesa, que foi assessorada pelo Banco Espírito Santo, esclareceu que fez uma "operação de tesouraria", baseada na "boa experiência de 14 anos em aplicações no Espírito Santo". A operação foi realizada em abril e a empresa faz questão de destacar que depois do dia 28 daquele mês, quando transferiu os ativos para a Oi no aumento de capital, não realizou nenhuma outra aplicação. A transação é entre partes relacionadas, uma vez que o GES é um dos maiores acionistas da tele portuguesa, com 10% do capital. Apesar disso, ela não estava descrita no prospecto da oferta bilionária de ações da Oi, em abril passado. A operação foi submetida apenas à comissão executiva da Portugal Telecom, não passou nem pelo conselho nem por auditoria.

 

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