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notícias Sem sinal de novos aportes, investidor afasta-se da Oi


Sem sinal de novos aportes, investidor afasta-se da Oi

Valor Econômico - 09 de outubro de 2013

Por Daniele Madureira | De São Paulo

A falta de "dinheiro novo" no acordo de fusão entre Portugal Telecom e Oi pode levar à queda do valor das ações da Oi nos próximos pregões. A avaliação é de analistas ouvidos ontem pelo Valor. Na visão dos especialistas, a fusão oferece mais benefícios para os acionistas portugueses do que para os brasileiros, porque a conclusão do acordo depende de que os minoritários no país façam um aporte de capital.

Ontem, as ações da Oi na Bolsa de Valores de São Paulo (BMF&Bovespa) recuperaram parte das perdas acumuladas nos últimos dias, e as preferenciais fecharam cotadas a R$ 3,70, com alta de 3,93%. No acumulado deste mês, no entanto, os papéis preferenciais da Oi recuaram 13,55%, depois de terem registrado alta de 29,5% no mês passado. No acumulado do ano, a Oi registra perdas de 47,83% na negociação dos papéis preferenciais.

"Oi e Portugal Telecom vão incorporar a dívida da holding. Mas quem vai pagar essa conta são os acionistas minoritários da Oi, se concordarem em investir R$ 5 bilhões na operadora", disse Marcelo Torto, da Ativa Corretora. Na opinião de Torto e de outros analistas, a operação não traz atrativos para os minoritários, porque não há "dinheiro novo" envolvido.

"Dos R$ 2 bilhões prometidos pelos controladores da Oi e pelo BTG Pactual, só R$ 500 milhões podem ser considerados dinheiro novo, porque vêm do BTG", disse outro analista que prefere não se identificar. "Os controladores podem usar as próprias ações que detêm na Oi para financiar a participação deles na nova empresa", afirmou.

De acordo com a operação anunciada na semana passada, os portugueses vão sanear a dívida da controladora Telemar Participações, no valor de R$ 3,2 bilhões, e dos sócios brasileiros La Fonte Telecom (Grupo Jereissati) e AG Telecom, que somam R$ 1,3 bilhão. Para isso, a Portugal Telecom deu como garantia seus ativos, que serão trocados por ações na nova empresa, a CorpCo. Hoje, o valor de mercado da Portugal Telecom é de R$ 9,6 bilhões - subtraindo desse total as participações que a portuguesa tem na Oi e na Contax (estimadas em R$ 2 bilhões pelos analistas do HSBC), e as debêntures de R$ 3,2 bilhões da Telemar Participações, chega-se a R$ 4,4 bilhões.

"Esse montante está "bem abaixo do valor de R$ 6,1 bilhões do ativo apresentado no acordo, que foi trocado por uma participação de 38,1% na CorpCo", ressalta relatório do HSBC, assinado por Richard Dineen e Luigi Minerva. "Se o nosso entendimento estiver correto, isso sugere que o acordo seria mais benéfico para os acionistas da Portugal Telecom do que para os da Oi", afirmaram os analistas que consideram, "neste momento", o papel "um risco significativo para os investidores". O HSBC recomenda venda das ações e coloca o preço-alvo em R$ 3,50, abaixo da cotação atual.

"Para os portugueses, é um supernegócio: estão tomando o controle de uma operadora que será muito maior do que a deles e jogando a conta para os minoritários brasileiros pagarem", disse um analista ouvido pelo Valor. Segundo ele, a maior prova de que não existe dinheiro novo na operação é o fato de a CorpCo ter uma dívida líquida 3,3 vezes superior ao lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), um indicador que é praticamente igual ao da Oi no segundo trimestre do ano, de 3,4 vezes.

"Como é possível aportar R$ 7 bilhões em uma nova empresa que mantém o mesmo endividamento da anterior?", questiona o analista. "É uma reorganização societária, em que a Portugal Telecom 'paga a conta' dos sócios para ganhar poder na Oi. Mas quem se compromete a fazer o desembolso são os minoritários." De acordo com esse analista, o minoritário pode até pagar a conta, mas não no valor em que a ação chegou semana passada, na faixa de R$ 4. "Mas se o preço cair ainda mais, a Portugal Telecom terá mais do que os 38,1% da nova empresa", disse.

As agências de classificação de risco parecem ter percebido a posição vantajosa da Portugal Telecom sobre a Oi no acordo. A Moody's manteve a nota de crédito da Oi em Baa3 (risco moderado), com perspectiva negativa, enquanto colocou a nota da Portugal Telecom, hoje em Ba2 (grau especulativo) em revisão para possível elevação.

Já a Standard & Poor's colocou a nota da Portugal Telecom (BB, grau especulativo) em revisão, para cima ou para baixo. Por outro lado, colocou em observação negativa a nota da Oi (hoje BBB-, grau de investimento). A perspectiva da S&P para a nova empresa resultante da fusão, a CorpCo, é BB+, a um degrau do grau de investimento.

 

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