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Pressionado, Machado deixa presidência da Transpetro

04/11/2014 às 05h00

Valor Econômico - por Raquel Ulhôa, Bruno Peres, Andrea Jubé e Francisco Góes | De Brasília e do Rio

O presidente da Transpetro, Sérgio Machado, pediu licença do cargo, ontem, em meio a novos desdobramentos das denúncias da Operação Lavo-Jato, da Polícia Federal, que investiga um bilionário esquema de desvios de recursos da Petrobras. O ex-diretor de abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, pivô do caso, disse ter recebido R$ 500 mil de Machado, que nega: "A acusação [de Costa] é francamente leviana e absurda, mas mesmo assim serviu para que a auditoria externa PwC apresentasse questionamento perante o Comitê de Auditoria do Conselho de Administração da Petrobras", disse Machado, ontem, em nota. Ele será substituído interinamente por Cláudio Ribeiro Campos, diretor de gás natural da Transpetro.

O fato de a PwC ter feito questionamentos tornou-se público na sexta-feira, quando a reunião do conselho de administração da Petrobras, no Rio, foi interrompida pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que preside o conselho. Na sexta, não estava claro, porém, quais as razões da PwC para questionar os dados do balanço da Petrobras. Ontem, Machado disse que, embora o conselho de administração tenha adiado qualquer deliberação sobre o questionamento da PwC, decidiu "de forma espontânea" requerer licença sem vencimento pelos próximos 31 dias. "Tomo a iniciativa de afastar-me temporariamente para que sejam feitos, de forma indiscutível, todos os esclarecimentos necessários." Seu substituto será o diretor da empresa, Claudio Campos.

Machado estava na presidência da Transpetro há onze anos e quatro meses. Assumiu ainda no primeiro governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e permaneceu com a presidente Dilma Rousseff, ancorado no programa de renovação da frota de navios, o Promef, que deu novo ânimo à indústria naval nacional, apesar dos problemas que enfrentou como os atrasos nas obras de construção.

O Valor apurou que o afastamento de Machado deverá tornar-se definitivo, embora anunciado como licença. Senadores e deputados dos partidos afirmam que Machado, ex-senador, ocupa a presidência da empresa na "cota pessoal" de indicação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e não representa o partido no governo. Por essa ótica, o afastamento não deveria causar problemas entre governo e PMDB.

Mas segundo fontes do Palácio do Planalto, a saída de Machado abala os pilares da relação com Renan, fragilizando a presidente Dilma no momento em que ela mais precisa de aliados no Congresso, que voltou armado contra o governo das eleições. Renan aproximou-se ainda mais de Dilma a partir do início do ano, quando se tornou um interlocutor privilegiado na última reforma ministerial, a ponto de emplacar o ministro do Turismo, Vinícius Lages. Agora com o nome citado na delação premiada de Costa, e envolvido nos desvios da Petrobras, tudo indica que irá submergir, fragilizando a interlocução do Palácio com o Senado.

O enfraquecimento de Renan complica a situação de Dilma no Senado porque o peemedebista garantia a interlocução com as lideranças da bancada do seu partido, que voltaram descontentes das urnas. Entre elas, Eunício Oliveira, líder do PMDB no Senado derrotado pelo PT no Ceará, e Vital do Rêgo Filho, que também perdeu na Paraíba, e José Sarney (MA), que não deverá ser indicado para ministérios. Renan garantia os votos da bancada ao governo Dilma.

Para agravar o cenário, o PT não tem como compensar o esvaziamento da influência de Dilma no PMDB. A bancada petista no Senado viu alguns de seus pontas-de-lança amargarem derrotas fragorosas nas urnas, como Gleisi Hoffmann, no Paraná; Delcídio Amaral, no Mato Grosso do Sul; e Lindbergh Farias, no Rio de Janeiro. A decisão de pedir licença foi discutida entre Machado e Renan, que concordou com a solução. A conversa foi domingo. Renan estava em Brasília e Machado, no Rio. Na conversa, combinaram o teor da nota divulgada ontem.

 

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