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Proteção contra credores e prisão

 

25/07/2014 às 05h00

Valor Econômico - por Patricia Kowsmann | The Wall Street Journal, de Lisboa

Os problemas no conglomerado português Espírito Santo International (ESI) se intensificaram ontem, depois que mais uma unidade do grupo entrou com pedido de proteção judicial contra credores e a figura mais proeminente do grupo, Ricardo Salgado, ex-diretor presidente do Banco Espírito Santo (BES), foi detido numa investigação sobre lavagem de dinheiro.

Os dois acontecimentos, que não estão diretamente relacionados, são os mais recentes de uma série de reveses sofridos por Salgado, patriarca de uma das mais importantes famílias portuguesas. Ele tenta salvar seu império empresarial, que está sob forte pressão financeira. Ontem, Salgado emitiu um comunicado dizendo acreditar que "a verdade e a justiça irão prevalecer".

O pedido de proteção judicial indica que o BES, em que a Espírito Santo Financial Group detém uma fatia de 20%, vai provavelmente ter prejuízos com seus investimentos ligados à controladora, que incluem mais de € 900 milhões (US$ 1,21 bilhão) em empréstimos e outros negócios.

O banco também estava contando com € 700 milhões da Espírito Santo Financial Group para pagar clientes de varejo que compraram títulos de dívida emitidos pela ESI e por outra unidade, a Rioforte Investments. Ambos entraram com pedido de recuperação judicial em Luxemburgo. Não está claro se o banco conseguirá obter esse dinheiro agora. A instituição também enfrenta perdas com empréstimos concedidos às duas empresas e entidades relacionadas.

Uma porta-voz do banco reiterou que ele vai reembolsar os clientes de varejo que compraram papéis comerciais da ESI e da Rioforte. O banco, que contratou o escritório de advocacia Linklaters LLP, havia afirmado que tem uma reserva de € 2,1 bilhões para cobrir possíveis inadimplências.

As ações do BES, que haviam subido fortemente na manhã de ontem, fecharam em alta de 2,3%, a € 0,4890. A Espírito Santo Financial Group (ESFG) divulgou o pedido de proteção judicial após o fechamento do mercado. Em nota, afirmou que é "incapaz de cumprir suas obrigações sob seu programa de papéis comerciais e as obrigações associadas com as dívidas individuais da companhia".

Os problemas do império Espírito Santo vieram à tona em maio, quando o banco divulgou ter descoberto que a ESI estava em graves condições financeiras através de uma auditoria ordenada pelo banco central português.

Salgado, que saiu do banco este mês, é o presidente do conselho de administração da ESFG. Até março, ele também tinha um assento no conselho da ESI, sediada em Luxemburgo. Ele foi detido ontem em consequência de uma investigação sobre lavagem de dinheiro chamada "Monte Branco", iniciada há três anos para apurar conexões financeiras entre gestores de fortunas suíços e clientes portugueses.

A promotoria, que comanda a investigação, informou que Salgado foi detido para interrogação em Lisboa. Ele foi liberado após pagar uma fiança de € 3 milhões e se comprometeu a não sair do país.

Salgado, que em 2012 participou da investigação como testemunha, disse que sempre pagou seus impostos.

A promotoria informou ontem que novos fatos vieram à tona posteriormente. "Em questão está uma consequente prática de fraude, abuso de confiança, falsificação e lavagem de dinheiro", afirma em nota, acrescentando que Salgado disse que "colaboraria com a Justiça para esclarecer os fatos".

A promotoria divulgou em 18 de julho que está investigando a ESI e suas entidades, mas não deu informações adicionais.

Ontem, a agência reguladora dos mercados em Portugal (a CMVM) afirmou ter relatado à promotoria uma série de supostos problemas que encontrou na Espírito Santo International nos últimos anos. A origem do grupo Espírito Santo remonta a uma operadora de câmbio criada em 1869, que acabou se transformando no Banco Espírito Santo. No meio do caminho, o banco se tornou acionista de várias empresas, de seguradoras a firmas industriais. Além do banco, os investimentos do conglomerado incluem participações na Portugal Telecom (sócia da telefônica brasileira Oi) e na rede Tivoli Hotels & Resorts, propriedades em Portugal e no Brasil, uma companhia de seguros portuguesa, alguns pequenos projetos de energia no Brasil e uma participação numa operadora de hospitais.

Salgado, que tem 70 anos, comandou o banco por mais de 20. Ao longo desse tempo, foi considerado um dos homens mais poderosos de Portugal, com conexões de peso no país e no exterior.

 

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