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Após dez anos, Bolsa de SP encerra 1º semestre sem abertura de capital

 

Redução dos estímulos nos EUA, Copa do Mundo, férias e eleição engavetaram projetos

Na fila de IPOs, há apenas a JBS Foods, que pretende captar R$ 3 bi, mas operação ainda não tem data para ocorrer

FOLHA DE S. PAULO - TONI SCIARRETTA DE SÃO PAULO

A Bolsa de Valores de São Paulo encerrou o primeiro semestre sem uma única abertura de capital.

Foi a primeira vez que isso aconteceu desde 2004, quando começou a mais recente onda de captações de recursos no chamado Novo Mercado da Bolsa, segmento de alta transparência e de respeito aos acionistas minoritários que trouxe uma nova geração de companhias ao mercado de ações.

As torneiras fechadas deste semestre indicam que secou o apetite dos investidores, especialmente estrangeiros, ao risco de apostar em novas empresas, sem histórico de negociação nem de relacionamento com a Bolsa.

A última abertura de capital no país foi da agência de turismo CVC, que captou R$ 541 milhões em dezembro de 2013. Mesmo em 2009, logo após a crise das hipotecas "subprime" (segunda linha) nos EUA, houve a operação da antiga Visanet, atual Cielo, que levantou R$ 8,4 bilhões com a venda de ações.

Primeiro foram as turbulências ocasionadas no início do ano pela retirada gradual dos estímulos financeiros pelo Federal Reserve (BC dos EUA), que na visão dos pessimistas ameaçava absorver os investimentos dos países emergentes. Depois veio o calendário apertado devido à Copa no país, que ajudou a engavetar os projetos de expansão das empresas. Agora, pesam também as férias de verão no hemisfério Norte.

No entanto, a corrida eleitoral para o Palácio do Planalto e a possibilidade de alternância no poder interferem mais no humor dos investidores. A recente alta da Bolsa brasileira (o Ibovespa saltou 18,2% desde o piso em meados de março) foi atribuída por parte dos analistas ao crescimento dos candidatos de oposição nas pesquisas.

"A eleição é o principal fator de indefinição. Mas, seja qual for o presidente, sabemos que 2015 será um ano difícil, de ajustes, com juros elevados, corte nos gastos públicos, crescimento baixo e possivelmente desemprego maior. É um cenário que não ajuda as empresas a irem a mercado buscar investidores como sócios", disse Eduardo Coutinho, professor de finanças do Ibmec-MG.

O engavetamento das aberturas de capital ameaça um dos setores mais importantes dos bancos, que emprega cerca de 5.000 pessoas, além de advogados, auditores, consultores e corretores.

Só não há demissões significativas porque esses profissionais ganham uma porcentagem das operações. Ou seja, deverão perder o bônus.

O próprio presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, afirmou que há chance de este ano terminar sem ter nenhuma abertura de capital. Na fila, há apenas a JBS Foods, que pretende captar cerca de R$ 3 bilhões, mas a operação ainda não tem data para ocorrer e deve ficar para depois das eleições.

"É um ano bastante difícil para o mercado. São muitas as incertezas. Por isso, estamos tentando viabilizar a abertura de capital de empresas menores", disse Pinto.

O ministro Guido Mantega (Fazenda) anunciou um pacote de estímulo ao mercado que isenta a cobrança de Imposto de Renda para quem investir em empresas pequenas. Com a isenção, a aplicação sai na frente das demais por não pagar 15% de IR.

 

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