Transparência e Governança

 
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Ana Novaes

1. Conte resumidamente sobre a sua experiência como conselheira independente da CCR. Quem você representa?

Quando houve o IPO da CCR, eu fui uma das poucas gestoras de recursos no Brasil que acreditou na história da Companhia. A maior parte da colocação foi feita no exterior. Como ela foi a primeira empresa a lançar ações no segmento do Novo Mercado, precisava de um conselheiro independente. Em vez de já ter um nome no momento da abertura de capital, a Companhia preferiu selecionar um conselheiro nomeado pelos novos acionistas, após o IPO. Como foram poucos no Brasil, eles me procuraram e perguntaram se eu estaria interessada. Para mim, era uma oportunidade para adquirir uma nova experiência, pois fecharia um círculo: já havia sido analista de investimentos (“sellside”), gestora de recursos (“buyside”) e, com aquele convite, tinha a oportunidade de trabalhar de dentro de uma Companhia.
A CCR prima pela qualidade de sua governança e minha contribuição inclui expressar opinião sobre o mercado, como evitar conflitos, como ter uma relação de transparência, etc. Participo atualmente dos comitês de auditoria e do comitê financeiro e, portanto, atuo diretamente na supervisão da preparação das demonstrações financeiras, dos controles internos, e da política financeira da empresa. Recentemente, como conselheira independente, o Conselho de Administração me delegou a condução, juntamente com Henrique Neves, do processo do Comitê Independente que analisou a compra das participações nos aeroportos detidas pelos controladores, Grupos Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa. E esta foi uma ótima oportunidade para um Conselheiro Independente de atuar para garantir que os interesses da Companhia e, portanto, de todos os seus acionistas fosse preservado.
Eu entendo que nas minhas atividades como conselheira, eu represento os interesses da companhia e, portanto, também de seus acionistas minoritários.


2. Os níveis de governança brasilierios estão favoráveis aos minoritários?

Diria que houve melhoria substancial no Brasil nos últimos 10 anos, em decorrência da criação dos níveis diferenciados de governança da Bovespa e da expansão do número de companhias do novo mercado. A governança corporativa não é estática; é uma prática que deve se aprimorar constantemente, inclusive à medida que novas operações/episódios ocorrem. É importante que o investidor perceba, que se uma companhia está no Novo Mercado, há fortes indicações de que sua governança seja melhor e diferenciada, mas isso não é condição necessária nem suficiente para assegurar a boa governança. Por outro lado, uma companhia, que por motivos históricos tem ações PN, ainda assim pode ter uma boa governança. Como investidora, procuro investir em ações de companhias preferencialmente do Novo Mercado ou do Nível Dois da Bovespa. Se a companhia me interessa, mas não está no Novo Mercado ou no Nível Dois, procuro comprar a ação ON. Só considero a compra da PN se verifico que o acionista minoritário tem o direito de vender suas ações junto com o controlador em caso de alienação do controle (“tagalong”). Caso contrário, se tenho a ação PN sem nenhum direito diferenciado no Estatuto da companhia, serei (juntamente com os demais acionistas preferencialistas) a variável de ajuste em qualquer operação que envolva uma reestruturação societária. Em fim, só o investimento em ações permite uma rentabilidade real diferenciada, em particular no cenário atual de queda da taxa de juros real no Brasil, mas o investidor pessoa física deve ter cuidado redobrado quando investe diretamente na bolsa ou, quando investeindiretamente através de fundos, na escolha de seu gestor.


3. Você acha que o minoritário é importante? Por quê?

A resposta a esta pergunta é rápida e simples: sem acionista minoritário não haveria mercado de ações, nem primário nem secundário, e as companhias se veriam privadas da possibilidade de acessar o mercado, simplesmente porque este não existiria.

Perfil

Ana Novaes

Ana Novaes é sócia responsável e fundadora da Oitis Consultoria Econômica e Financeira Ltda.  doutora em Economia pela Universidade da Califórnia, Berkeley e advogada formada pela PUC do Rio de Janeiro. Adquiriu em 1998 o direito de usar a designação CFA, Chartered Financial Analyst outorgada pela AIMR (Association for Investment and Management Research) dos Estados Unidos. Atualmente é membro do Conselho de Administração da CCR, da CPFL Energia e da Metalfrio. Anteiormente, foi consultora do Comitê de Auditora da Companhia Siderúrgica Nacional e diretora de investimentos do Pictet Modal Asset Management S.A. Entre 2008 e 2010, foi sócia da Galanto Consultoria do Rio de Janeiro para serviços e aconselhamento na área de governança corporativa.

 

 

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